Archive for May, 2008

Isabel Saraiva – Psique

May 29, 2008

 

Todas as pessoas têm alguns sintomas neuróticos, frequentemente manifestados nos mecanismos de defesa do ego, que as ajudam a lidar com a ansiedade. Mecanismos de defesa, que resultam em dificuldades para viver, são chamados “neuroses” e são tratados pela psicanálise, psicoterapia/aconselhamento, ou outras técnicas psiquiátricas.

Simbolizando a nossa vida como uma corda, podemos representar essas vivências como “nós”, que se distinguem entre si consoante o seu grau de descodificação, ou seja, mediante a sua maior ou menor percepção para o ser humano. Um determinado “nó” pode originar um maior auto-conhecimento do que outro.

A fotografia simboliza a tentativa de desatar esses “nós”. É um começo e como tal apenas mostra um “nó” deslaçado, uma vez que os efeitos da psicoterapia estão no início.

Em suma, esta fotografia projecta o início do iter que a pessoa terá que percorrer.

Rui Correia- Libertação da Alma…

May 22, 2008

Sinto que a minha alma pede descanso…

Um esforço de evasão do corpo ao qual tem dedicado a sua existência.

Este meu âmago pede descanso…

A parte mais profunda do “ser” tem uma forma estranha de libertação e repouso. Para que tal aconteça é necessário um afastamento do pólo ao qual se tem dedicado exaustivamente.

“A alma é aquilo que o corpo recusa.”

Auguste Chartier

Este trabalho, parte do pensamento de que em momentos a nossa alma parte para um descanso temporário, instantes em que deixa o “ser” humano e os seus “compromissos” diários, e se afasta do coração, do íntimo, do corpo e parte para um estado de hibernação, deixando a sua “casa” vazia de significado mas ao mesmo tempo em estado de carregamento de energia.

A libertação da alma, não está ligada à morte, nem à sua separação do corpo de forma permanente, mas sim à perda provisória de índole, aquilo que nos caracteriza como pessoas e nos alimenta dia após dia.

RuiCorreia

CARLOS BARROS – Cinco Monstros da Historia da Arte

May 1, 2008

Monstro, definem os dicionários: “pessoa cruel e desnaturada; assombro; ser disforme; horrendo…”.

Num passado remoto, perto da Época clássica Ésquilo num dos seus poemas anunciava: ” A terra gera muitos flagelos de tremendos terrores: monstros imanes, inimigos dos mortais, enchem os seios do mar profundo. No alto, entre o céu e a terra, chamas sulcam o ar e todas as criaturas que voam ou que rastejam podem contar o ventoso furor das tempestades.”

Todavia, na época medieval os monstros que se construíam nos capitéis das igrejas eram encarados como monstros atraentes, tal como nos achamos exóticos os animais do jardim zoológico. Prova disso é a ênfase com que um rigorista como São Bernardo (na Apologia a Guilherme) condena e aparecia as esculturas dos capitéis (…) – “ O que faz nos claustros (…) aquela ridícula monstruosidade, aquela espécie de estranha formosura e disformidade formosa? O que estão a fazer os imundos macacos? Ou os ferozes leões? Ou os monstros centauros? Ou os semi-homens?… Podem-se ver muitos corpos debaixo de uma única cabeça e, vice-versa (…).

De um lado, percebe-se um quadrúpede com uma cauda de serpente, do outro, um peixe com cabeça de quadrúpede (…).

Em suma, aparece por toda a parte uma tão grande e tão estranha variedade de formas heterogéneas, que se experimenta mais o gosto em ler as mármores do que os códices e em ocupar o dia inteiro a admirar estas imagens, uma a uma, do que meditar a lei de Deus”

Estes relatos mostram como o interesse pelo horrendo, pelos monstros, criaturas desfiguradas sempre perfilaram no consciente ou memória humana.

A minha procura será recriar alguns desses monstros, o meu ponto de pesquisa será a pintura, a minha abordagem será minimalista e o mais semelhante à monstruosidade.