Monstro, definem os dicionários: “pessoa cruel e desnaturada; assombro; ser disforme; horrendo…”.
Num passado remoto, perto da Época clássica Ésquilo num dos seus poemas anunciava: ” A terra gera muitos flagelos de tremendos terrores: monstros imanes, inimigos dos mortais, enchem os seios do mar profundo. No alto, entre o céu e a terra, chamas sulcam o ar e todas as criaturas que voam ou que rastejam podem contar o ventoso furor das tempestades.”
Todavia, na época medieval os monstros que se construíam nos capitéis das igrejas eram encarados como monstros atraentes, tal como nos achamos exóticos os animais do jardim zoológico. Prova disso é a ênfase com que um rigorista como São Bernardo (na Apologia a Guilherme) condena e aparecia as esculturas dos capitéis (…) – “ O que faz nos claustros (…) aquela ridícula monstruosidade, aquela espécie de estranha formosura e disformidade formosa? O que estão a fazer os imundos macacos? Ou os ferozes leões? Ou os monstros centauros? Ou os semi-homens?… Podem-se ver muitos corpos debaixo de uma única cabeça e, vice-versa (…).
De um lado, percebe-se um quadrúpede com uma cauda de serpente, do outro, um peixe com cabeça de quadrúpede (…).
Em suma, aparece por toda a parte uma tão grande e tão estranha variedade de formas heterogéneas, que se experimenta mais o gosto em ler as mármores do que os códices e em ocupar o dia inteiro a admirar estas imagens, uma a uma, do que meditar a lei de Deus”
Estes relatos mostram como o interesse pelo horrendo, pelos monstros, criaturas desfiguradas sempre perfilaram no consciente ou memória humana.
A minha procura será recriar alguns desses monstros, o meu ponto de pesquisa será a pintura, a minha abordagem será minimalista e o mais semelhante à monstruosidade.
